A “Madonna del Cardellino”, ou melhor, “Nossa Senhora do Pintassilgo”, è uma obra de arte de autoria de Rafaello, famoso pintor renascentista. Foi pintada a óleo, em 1506. O quadro mede 107 x 77 cm e foi um presente de casamento oferecido a Lorenzo Nasi, um rico comerciante de tecidos, que se casou com Sandra Canigiari, uma senhora da alta burguesia florentina. Em 1547, após um terremoto, o teto da casa de Nasi desabou e o quadro foi reduzido a 17 pedaços. Recentemente, para recuperar a preciosidade, foram usadas técnicas de restauro dignas de
um projeto da Nasa e o resultado, depois de mais de 8 anos de trabalho,è surpreendente. Para comemorar o sucesso do projeto, o quadro foi exposto no Palazzo Medici-Riccardi (ingresso a 7 euros) e nós fomos conferir de perto.
O quadro representa Nossa Senhora, sentada em uma rocha, enquanto a santa faz uma pausa na leitura de um livro para observar amorosamente as crianças que brincam aos seus pés. As crianças são Jesus Cristo, a direita, e São João Batista, a esquerda. João Batista tem em mãos e
oferece a Jesus um pintassilgo, que é simbolo da paixão. Paixão significa sofrimento, ou melhor, a “Paixão de Cristo”, ou seja todo o sofrimento que Cristo iria sofrer mais tarde. Então, trata-se de uma advertência em sentido metafórico.
Ver ao vivo a famosa Madonna del Cardellino era o objetivo oficial da nossa viagem a Florença, mas outras surpresas aconteceram durante aquele final de semana de fevereiro. Acompanhados de mais 4 amigos, iniciamos o sábado dando uma volta na feira do couro e artesanato florentino, nos arredores da catedral e finalizamos a manhã, almoçando no mercado municipal. Foi no tal
mercado que o pecado da gula começou. O lugar parece a Feira do Guará, em termos de produtos, mas em dimensões e precos está mais para aquele "mercado-municipal-metido-a-besta", que fica na W3 sul. Enfim, o risoto de alcachofra que eu comi estava uma coisa de doido e custou 5 euros.




No final do dia, fomos à “Via del Te” (Piazza Ghiberti, 23), ou Rua do Chá, que na verdade é uma lojinha muito simpática, especializada em chás de todos os tipos. Eu bem que procurei o tal chá de cogumelos no cardápio, mas como não achei, acabei experimentando outro que se chamava “Sogni d’Amore” (“Sonhos de Amor”). Foi o chá mais caro da minha vida, porque custou o mesmo preço do risoto, no mercado, mas acho que “sonhos de amor” não têm preço...
Depois do chá milionário, fomos ao “Teatro del Sale” (Via dei Macci, 111), ou seja, Teatro do Sal. Vamos com calma agora, porque se eu me atrever a apresentar o local como restaurante serei, no mínimo, desprezada pelo proprietário-rabujento. Então, vou explicar direito. O Teatro del Sale é uma associacão cultural, onde os sócios podem jantar ou tomar café-da-manhã e, em seguida, prestigiar um espetáculo de música, dança, teatro ou afins. Tudo isso (rango mais show) sai por 30 euros por pessoa e, acreditem, é o melhor investimento que um ser humano pode fazer quando está em Florenca. Explico: após associar-se, o sujeito ganha uma carteirinha, que custa de 15 a 5 euros. Eu paguei 5 euros porque sou "estrangeira residente no exterior". O jantar começa a ser servido por volta das 19h30. As pessoas se acomodam nas mesas previamente reservadas e o chef-proprietário começa a anunciar as iguarias, em alta voz. Cada um se levanta e se serve. As porções sao servidas em pires, mas o sócio logo se dá conta que mesmo assim, em pequenas quantidadas, será impossível comer de tudo, até o final da noite, porque o ritmo é frenético e a comida é realmente espetacular. Fora isso, o vinho caseiro e a água são liberados. Acabou de experimentar o primeiro pires? Então, leve seu pires usado na janelinha e pegue outra coisa ainda mais gostosa que acabou de ficar pronta. É assim até as 21h30. O menu começou com um inesquecível “Aringa alla Siberiana”, depois vieram lentilhas, salada de batatas, creme de grão-de-bico, erva-doce ao molho bechamel, almôndega com manteiga, alcaparras e acciughe, "pasta all'arrabiata", outra pasta com carne moída, tripas ao vinho, ensopadinho de carne, espetinho de frango, etc... Eu parei na primeira pasta. Depois, como em um passe de mágica, o local se transformou em um auditório, onde degustamos uma apresentação de música clássica, com direito até a Piazzola. Inesquecível!
Por sorte o hotel onde deveríamos dormir aquela noite , Hotel Azzi - Locanda degli Artisti (Via Faenza, 56), ficava a alguns metros da "cena do crime", então a caminhada ajudou na digestão física e psicológica. Conseguir um dois estrelas, com banheiro decente, uma ducha quente, lençóis limpos e café da manhã, por 60 euros (o casal), em Firenze, é como ganhar na loteria. Nós ganhamos. zZzZzZzzZZzzzZzzZ...






No domingo, acordamos cedo e fomos conhecer a Madonna (del Cardellino), na esperança de que ela nos absolvesse do pecado da gula cometido no sábado. Apesar da boa intenção, foi tudo em vão. Depois de apreciar a santa, almoçamos em um restaurante muito charmoso, Il Latini (Via del Palchetti, 6r), cuja especialidade é a cozinha toscana. O menu era tão atraente que, na dúvida, resolvemos pagar 25 euros por pessoa e experimentar um pouco de tudo que havia no cardápio. Hummmmm. Entupidos até a tampa de delícias florentinas, voltamos para casa de trem, exaustos da maratona e certamente 2 quilos mais gordos! Mas durante a viagem de volta já fazíamos planos para voltar a Florença e experimentar o café-da-manhã no Teatro del Sale. Haja Ave Maria...
